A natureza da criança e a invenção de um meio interessante: a educação da infância enquanto tecnologia do instinto
DOI:
https://doi.org/10.48751/CAM-2022-1835Palavras-chave:
Natureza infantil, Instinto, Meio natural, Sublimação, PedagogiaResumo
Este artigo propõe-se discutir a educação da infância enquanto tecnologia do instinto. Por tecnologia revelo a sua filiação às perspetivas abertas por Michel Foucault, a propósito do poder nas sociedades modernas. Por instinto, refiro-me a um conjunto de objetos teóricos, identificados pelo mesmo autor, que por meados do século XIX puderam entrar nas regras do discurso psiquiátrico. O que aqui se pretende, portanto, é analisar como uma noção de instinto pôde ser absorvida e funcionar no interior do discurso médico-pedagógico que marcou, de forma inovadora, as primeiras décadas do século XX. Neste sentido, visitam-se autores relevantes, no debate então atual, com o intuito de discutir os modos como ao mesmo tempo que se organizou o emolduramento que melhor proporcionaria um desenvolvimento infantil, esse também se dotou de um caráter terapêutico diante de determinados aspetos inatos, atribuindo à educação da infância as competências de um decisivo e precoce campo de prevenção da anormalidade.
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